A emocionante batalha de Barueri

Emoção, palavra que significa uma reação moral, psíquica ou física, geralmente causada por uma confusão de sentimentos, que geralmente é causada por algum fato, situação ou notícia. Para nós torcedores do JEC, a tal da emoção está usando e abusando de nossas mentes, tanto positivamente quando negativamente, tudo em decorrência desse drama na fuga contra o rebaixamento.

Esse texto é especificamente para falar do último dia 18 de novembro, onde estive presente na Arena Barueri para acompanhar mais uma batalha que seria outro teste psicológico e cardíaco. Antes de relatar tudo, já vos adianto que foi a experiência mais emocionante da minha vida até então, coisas que somente o futebol, em específico o JEC, vão me proporcionar.

ricardo-moreirafotoarenaestadao

A ansiedade na partida para São Paulo já bateu no início da semana, quando a única coisa que vinha a mente era a necessidade de vitória do tricolor, e isso se estendeu até o momento de pegar a estrada, que ocorreu às 08h45 da manhã da sexta-feira, nem preciso dizer que foi impossível dormir de quinta para sexta né?

Foram mais ou menos 8 horas na estrada, isso contando que o trânsito na capital paulista é caótico, e também com algumas paradas na estrada, para comer e beber, até porque ninguém é de ferro. Desde a partida de Joinville até a chegada na Arena Barueri, a única coisa que martelava na cabeça era a importância da vitória, e que não podemos cair… nesses momentos passa um filme na cabeça, das épocas ruins sem série, meia temporada sem futebol, perdendo título na mão grande, e vários questionamentos vem à mente, coisas do tipo: “Porque estamos passando por isso”, “Será que merecemos?”.

Cheguei por volta das 17h45 na Arena Barueri, o clima era o típico clima paulista, ameaçando uma garoa, frio e céu nublado. A ansiedade pelo início da partida era nítida, todos os tricolores nos arredores do estádio tomavam a sua tradicional cerveja para afastar um pouco o nervosismo, tentativa inútil, mas agradável. Nesses minutos antecedentes a partida, o tal filme citado acima volta a passar na cabeça, e é aí que a coisa complica, um sentimento um pouco torturante, mas que também ajuda a motivar para a partida de logo mais, confiando e acreditando nessas três cores e nesse escudo respeitadíssimo.

Chegou a grande hora, a partida começou, e a angústia já bateu logo aos 48 segundos, quando o atacante Jael perdeu uma chance claríssima de gol. O tempo foi passando, eu olhava a cada instante no meu relógio, onde em todas as partidas cronometro o tempo, algo que virou tradição em jogos do JEC para mim, e a cada olhada, a apreensão era apenas consequência do processo, e as lágrimas no rosto inevitáveis. Primeiro tempo encerrado, e o semblante fechado era o que dominava, pois o empate momentâneo rebaixava o tricolor, porém, isso mudaria 29 minutos depois. O segundo tempo começou, o jogo fluía, o Oeste teve duas chances claríssimas, mas o nosso goleiro Jhonatan salvou, com as suas mãos e as mãos de milhares de tricolores, que jamais deixariam a bola entrar.

Foto: Ricardo Moreira/FotoArena/Estadão
Foto: Ricardo Moreira/FotoArena/Estadão

29 minutos do segundo tempo, 0 a 0 no placar, os olhos já estavam marejados, pois o Joinville não conseguia chegar com perigo ao campo de ataque, e o pensamento no rebaixamento era forte, mas bastou um contra-ataque, apenas um contra-ataque, onde Kadu foi conduzindo, até chegar na área adversária, e fuzilar para o gol paulista; a bola entrou, a torcida tricolor explodiu, eu me ajoelhei, comecei a chorar e agradecer a Deus, JEC 1 a 0. O gol da libertação, todo mundo se abraçava, todo mundo expressava a sua emoção de uma maneira, é o Joinville Esporte Clube mexendo com o emocional de cada guerreiro presente na cidade de São Paulo!

Após o gol, é normal o clube paulista ir para cima, e isso é algo torturante demais, pois era um gol deles e tudo ia para o ralo. Do minuto 29 até o segundo gol, foram os 18 minutos mais lentos da minha vida, a cada segundo era uma olhada básica no cronômetro, meus amigos a todo momento perguntavam o tempo de jogo, era o JEC vencendo e a torcida implorando pelo fim do jogo. Uma coisa curiosa aconteceu comigo, pois a todo momento eu pedia para o goleiro Jhonatan fazer tradicional ‘cera’, no mesmo instante ele respondeu, e foi fazendo o gesto de “calma” … mal sabe ele que é impossível ter calma em um cenário como esses. O nervosismo corroía por dentro, a torcida cantava hino do JEC, e durante esse momento, o tricolor puxou um contra-ataque, onde Naldo deixou Erick Luís na boa, para fazer o gol do alívio, o gol que botou mais um pouco de lágrimas nos meus olhos e nos olhos de todos, o gol que fez eu me ajoelhar e agradecer muito a Deus por me fazer ser JEC, 2 a 0!

Uma cena que me marcou muito, foi a de um bebê, que tinha de 10 meses a um ano de vida, comemorando a vitória do JEC sorridente demais, literalmente fazendo a festa, uma coisa que eu nunca presenciei antes na minha vida, isso que faz tempo que frequento arquibancadas. O futebol as vezes lhe prega algumas peças, mas também proporciona momentos espetaculares, como olhar para o lado e ver amigos que você nunca viu antes chorando, isso é algo marcante demais, e que te dá a certeza de que o Joinville não é apenas mais um clube, e sim a vida de muita gente!

Foto: Maykon Lammerhirt
Foto: Maykon Lammerhirt

O saldo da viagem até Barueri? Bom, além dos joelhos ralados, foi mais uma prova de que o JEC é a minha vida, e que independente do que acontecer, ele nunca estará sozinho, porque jequeano você não encontra no mercado ou em botequim de esquina, ser JEC é bem mais do que apenas escolher um time para torcer, ser JEC é chorar, sofrer, se apertar para pagar o PFC ou a viagem para outra cidade, tudo para poder acompanhar o time que mexe com o seu emocional, o time que te faz xingar, chorar ou sorrir, o time que é a sua vida!

A vida me fez Joinville, e eu fiz do Joinville a minha vida!

3 comentários sobre “A emocionante batalha de Barueri

  1. Roberto, Impossível não perceber a emoção vivida neste dia, suas palavras descrevem exatamente o sentimento de muitos torcedores “A vida me fez Joinville, e eu fiz do Joinville a minha vida!” Parabéns pelo texto, você é um rapaz com enorme potencial, sendo lapidado dia a dia! Vamos ouvir muito de você e vamos ler muito seus textos! Grande abraço

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