Qual a base de um clube? A Base.

Antes de ler o restante do texto, pense em cinco clubes grandes do Brasil.

Eu digo pra você que todos os clubes que você acabou de pensar possuem uma categoria formadora de profissionais de excelência no Brasil.

A famosa BASE.

Por que uma categoria de base é tão importante? É só ter o exemplo das vendas do Ramires aqui e a venda do Roger Guedes, semana passada, do Criciúma para o Palmeiras. No primeiro caso, os valores da venda serviram para praticamente liquidar as dívidas que o clube tinha na cidade, com ex-jogadores e etc. Foi de suma importância na retomada do Joinville.
Já o Criciúma faturou R$ 5 milhões na venda, à princípio, com disponibilidade de empréstimos dos jogadores do Palmeiras, além do que, pode chegar a 20 milhões a negociata se o Palmeiras  completar a compra do passe (comprou 50%).

Um dos melhores times de base que o JEC teve. Leandro Bambu, Ramires, Edgar, Willian Alves, Douglas, Foca; Filipe, Fabiano, Rafael Carioca, Leandro Makelele e Kaíque. Um dos melhores times de base que o JEC teve.

Então, imaginem vocês se não foi bom para as finanças do Criciúma isso? Até uma venda com valores baixos (carece de fontes) como foram a do William Popp e do Gustavo Sauer ajudaram as finanças do JEC.

A venda de meninos da base é A MELHOR forma de manter o clube financeiramente tranquilo e, consequentemente, tendo grana para montar times competitivos (repondo peças e utilizando a própria base). Num cenário quase utópico, patrocínios seriam meras formas de ganhar dinheiro com o merchandising e não recursos essenciais para a formação de um elenco.

Com tudo isso dito, ter categorias de base é uma alternativa essencial, não acha? O agora ex-presidente do Joinville não concorda com essa teoria. Em uma entrevista essa semana para o A Notícia, Nereu disse que: “Acho mais lucro pegar os 150 mil mensais destinados à base do Joinville e investir tudo em Elenco Profissional”. Ainda bem que nunca o fez isso, mas essa frase mostra o quanto à questão da base pode não estar tendo a importância necessária para a Diretoria. Ainda segundo o ex-presidente, “Dinheiro investido na base a gente não vê um retorno concreto, diferente do profissional onde se erra pouco”. Ora, acho que ele está contente com o dinheiro investido em Diego Felipe, Thomás e Welliton Junior, por exemplo. Eu, assim como o técnico Hemerson Maria, prefiro apostar em Kadu, Juninho e Adriano, vale muito mais a pena. Por isso, os 150 mil é pouco ainda perto do que se gasta errado com contratações.

Mas eu compreendo o Nereu, a base do Joinville ainda tem GRAVES problemas. Ele como presidente deu um pontapé inicial para essa mudança com a entrada na Copa SP de Juniores, coisa indispensável a qualquer gestão de futebol de formação. Antes disso, a base do Joinville simplesmente não existia de fato, ou melhor, sobrevivia apenas alocando os garotos, porque de categoria de base não tem nada.

O novo presidente tem uma grande tarefa em suas mãos. Uma equipe NUNCA será forte por muito tempo sem uma categoria de base que funcione: Revelando BONS atletas nas suas canchas para utiliza-los com bom valor no elenco profissional, vende-los para ter a primeira boa recompensa e também torcer para que no restante da carreira o bom jogador decole e tenha transferências internacionais, o que também gera dinheiro ao clube.

O que fazer então para melhorar essa situação? Claro que não sou do meio do futebol, mas acredito que coisas simples poderiam já dar um diferencial a base do Joinville em longo prazo. Captar, Planejar e Realizar.

Captação

A começar pela captação, toda estruturação tem seu início e o início de uma base forte é uma captação de talentos igualmente forte. Como fazer isso? Observar, Observar e Observar. Trazer jogadores que atendam as características pré-definidas do clube e dar todo o suporte para o garoto. A duas formas de observar, a meu ver: Controle com a marca do Clube e um controle parcial.

  • O Coritiba disponibiliza um contato para que interessados no Brasil inteiro, tenham acesso aos observadores do clube. Ligando lá, a pessoa que tem uma escolinha recebe olheiros do clube que listam os garotos para testes em Curitiba. Essa seria a maneira parcial de controle.
  • O Internacional conta com um projeto chamado de Genoma Colorado, que nada mais são que escolinhas espalhadas pelo Brasil com a marca do Inter. Com isso, os responsáveis já são cadastrados e possuem dias de avaliação desses meninos no Internacional.

O JEC poderia pegar esses exemplos, montar um esquema com a sua logo em escolinhas, campos espalhados pelo Norte e Vale Catarinense (pois Metropolitano e Marcílio não tem base forte também) e usar o outro método para com o resto do Brasil. Não seria, a meu ver, muito oneroso ao Joinville. Só para termos de comparação, o projeto Tigrinhos do Criciúma (Projeto parecido com o Genoma do Inter) existe já em 42 cidades do sul do estado e conta com mais de 3500 crianças entre 7 e 14 anos. Hoje a captação do Joinville funciona através da única escolinha do clube.

Quanto mais cedo o Joinville captar talentos, melhor. Quer um exemplo? O Clayton, ex-Figueirense, chegou no clube do tapetão com DOZE ANOS. Não dá pra negar que o cara joga muito. O Figueirense teve todo o tempo para moldar o atleta com padrões.

Planejamento

Hoje, o Joinville possui oficialmente, segundo seu website, categorias sub-15,sub-17 e sub-20. Pouco para um clube de ponta. Sem falar que o JEC não joga muitas competições por falta de investimento, ou porque se mostraram “caras” para o clube.

Enquanto isso, o Avaí (é, o Avaí, falido) mandou seu time SUB-13 para uma competição em Portugal. Percebe onde estamos errando? (http://www.avai.com.br/site/mirim-do-avai-em-competicao-internacional/). Por essas e outras, não é raro jovens joinvilenses muitas vezes nem cogitarem fazer testes no Joinville, o clube não mostra um bom planejamento e nem uma boa “marca”. Quem nunca teve um amigo que foi fazer teste em dezenas de clubes e “se nada der certo venho fazer no JEC”. Pois é.

Sim, estamos atrás de todos os grandes no estado nesse quesito.
O time SUB-20, que é para ser o último estágio para chegar ao profissional NÃO TEM CALENDÁRIO…

Imagina as outras divisões.

Os passos para melhorar isso são claros: calendário, treinamento de fundamentos e ideologia tática e de comportamento desde os primeiros estágios. Com calendários maximizados para dar experiências para a garotada, aliados a disciplina tática e de comportamento de atleta.

Experiências em competições como a Copinha SP, Copa BH, Copas do Brasil e Torneios Internacionais e Nacionais seriam ótimos para por em prova a base, além de dar cancha para a mulecada. Aliado a tudo isso, o Joinville poderia desde cedo ensinar os padrões de conduta, que vieram desde os imigrantes da nossa cidade, para mostrar que no Joinville se trabalha duro.

Tudo isso, interligado a táticas, desde o início repassadas. Para que nenhum jogador chegue ao profissional sem a capacidade de voltar para marcar, por exemplo.

Realização

Ok, o garoto está com 20 anos, estourando idade e agora? Sobe e deixa lá?

A partir da subida do garoto ele passa a integrar o elenco profissional e tem que ser tratado como PROFISSIONAL. Ele tem que ser cobrado, exigido como qualquer outro. Assim como, se tiver êxitos, tem que receber como um profissional de futebol hoje.

Vamos ser justos, como um rapaz como o William Popp pode ficar motivado a continuar sendo jogador do Joinville, se depois de 50 jogos, ele não vê nenhum futuro financeiro no clube? Não se engane você que não gostava do futebol do rapaz, eu também não era o maior dos fãs.

Mas sejamos razoáveis, o JEC não tem uma base boa, não tem planejamento, mesmo assim ele chegou ao profissional. Chegando lá, viu que seu trabalho não foi recompensado.

O JEC tem que ter metas para os garotos que sobem: Partidas feitas, Gols feitos, Assistências, Jogos não vazados. Ai então, com metas, os garotos vão tendo seus salários melhorados, contratos melhorados, etc…

Estrutura

Novo CT do Freguês, aprendem desde cedo a Perder do JEC

Por último, para tudo isso, tem que ter E – S – T – R – U – T – U – R – A.

A maioria dos clubes possuem, um CT para sua base, com dormitórios, campos para todos os níveis de base e etc…

É difícil pensar nisso com as finanças do clube hoje, mas poderia se captar recursos, como o Criciúma captou recursos da Lei de Incentivo ao Esporte (cerca de 3 milhões de Reais) e montou um CT para suas categorias formadoras (que pode ser utilizada para o profissional também).

Momento EU PRESIDENTE

Eu como presidente, tentaria essa verba, compraria um terreno lá em Campo Alegre ou São Bento do Sul e montaria um baita CT para a base. O Terreno lá é mais barato, o clima da cidade e a vida mais tranquila lá seria uma grande ajuda para os meninos terem uma educação tanto no futebol quanto na vida. O CT teria um estádio próprio, pequeno, atrairia a população local e acarretaria também em um crescimento da torcida. Se fosse possível seria um passo enorme para chegar aos 50 anos na Série A.

Já estou a procura.

Coisas simples, atitudes fáceis de se pensar até para um reles torcedor como eu. Acredito que um dia dando o devido valor a base, O JEC terá grandes frutos, porque há muito moleque bom de bola que brota na nossa região e no Brasil que não é aproveitado.

Um grande abraço. JEC sempre!

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