Ser sócio do Joinville é pagar um papel: o de trouxa

Sócio-sofredor do JEC

Este ano não está sendo fácil para os torcedores do maior clube de Santa Catarina. O JEC só foi vencer pela primeira vez no ano em casa na décima rodada, para o modesto Guarani de Palhoça num jogo que talvez fosse até mais justo um empate.

Mas não é do jogo que este artigo tratará. Então, se você for um torcedor desses que só acompanha resultado, talvez feche esta página agora mesmo. Mas este artigo trata de algo muito mais fundo: a instituição Joinville Esporte Clube.

Como a maioria da torcida do Joinville sabe, este começo de ano está sendo um período transitivo entre o mandato de Nereu Martinelli e o do novo presidente – que deve ser Jony Stassun, atual diretor financeiro do JEC. E muitos inclusive atribuem nossa turbulência dentro de campo à turbulência vivida fora das quatro linhas. É, pode ser.

Mas gostaria de salientar aqui o que comentei com os colegas de mesa e ouvintes do programa Debate Tricolor (União Sul FM, todo sábado das 13 às 14h)o Joinville hoje é uma instituição apolítica. Uma diretoria sem oposição é o reflexo de um estatuto que dificulta e burocratiza a escolha de um presidente da maior instituição esportiva da maior cidade catarinense.

As próximas eleições devem eleger Jony Stassun, que mais uma vez vencerá sem oposição. A aclamação se dará no dia 08/abril, conforme esta resolução do Joinville Esporte Clube.

Mas você sabe quem pode ser presidente do Joinville? A imagem abaixo responderá.

presidente

Você precisa ser sócio e conselheiro do clube a dois anos no mínimo, além de ter no mínimo trinta anos. Ou seja, atrela-se o Conselho Deliberativo à Diretoria. Ok, beleza, mas posso ser conselheiro? Sim, se você tiver dinheiro para injetar no clube quando necessário. O clube não coloca isso nas atribuições, mas em caso de crise, é o conselheiro que ajudará nas finanças.

cons

O que isso significa? Você precisa ter sua vida já bem encaminhada para ser presidente do Joinville – e isso explica muito do fato de tantos empresários terem governado o JEC.

E chegamos ao ponto que gostaria: eu, como sócio do Joinville, posso exigir mudanças?

Sim. O estatuto é bem claro ao falar de direitos e deveres do associado do Tricolor.

Direitos

direitos

Deveres

deveres

 

Ou seja: eu posso solicitar alterações no Estatuto devo fazê-lo para proteger a instituição do meu clube. Ao menos o estatuto do Joinville está ao lado do associado.

Agora, vamos aos fatos: não só o momento, mas o histórico de no mínimo dez anos nos mostram que é hora de mudança na forma como o Joinville Esporte Clube é governado.

Eis aqui propostas para um novo modelo de gestão no Tricolor – que aliás, fazendo valer meu direito previsto no art. 19 item “c” do Estatuto, enviarei à Diretoria:

  1. Criação do Conselho do Associado, onde será convocado a cada três meses todo e qualquer sócio adimplente do Joinville Esporte Clube para reuniões sobre balanços dentro e fora de campo, bem como abertura para votações de temas incluindo o preço da mensalidade do associado, junto à Diretoria e Conselho Deliberativo;
  2. Alterações dos requisitos para a eleição da diretoria, onde os requisitos seriam apenas:
    1. Ter a chapa completa até o prazo final das inscrições;
    2. Para todos os cargos, necessita-se apenas ser sócio e maior de idade (18 anos);
    3. Período maior entre o término das inscrições e a eleição, realizando debates abertos aos sócios;
    4. Todo cargo deve exigir atenção integral do ocupante, oferecendo como contrapartida um salário que lhe possibilite isso;
      1. Este salário será definido pelo Conselho do Associado, no primeiro item dessa lista.
  3. No caso de eleições com chapa única, dar-se-á eleição por aclamação apenas se houver 50% mais um (1) de votos favoráveis à chapa concorrente, ou em caso contrário terá de se apresentar uma outra chapa no prazo de três (3) meses com outros candidatos.

É importante frisar que este conjunto de proposições visa exclusivamente democratizar o Joinville Esporte Clube. E que é importantíssimo politizar a torcida do JEC, a fim de nunca mais deixar o Joinville cair na mesma má fase que já o deixou sem divisão nacional.

Afinal, semiparafraseando um candidato a prefeito da cidade: torcida não basta. Tem que ter gestão.

Um abraço deste sócio aflito porém com espírito pleno de esperanças que vos escreve. O Joinville é do povo!

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