Os desafios de Maria em seu retorno ao Joinville

Hemerson Maria volta ao JEC depois de marcar história. O sucesso pode se repetir? Foto: Rodrigo Philipps/Agência RBS
Hemerson Maria volta ao JEC depois de marcar história. O sucesso pode se repetir? Foto: Rodrigo Philipps/Agência RBS

A era PC Gusmão acabou no Joinville. Depois de não conseguir evitar a queda do Coelho para a série B do Brasileirão, acabar com uma sequência invicta em casa no Catarinense que vinha desde 2013 para o Avaí no último domingo, e deixar o Joinville a muito pouco da lanterna do primeiro turno catarinense, a diretoria resolveu agir e demitir Paulo César Gusmão da comissão técnica tricolor. Para seu lugar, nesta segunda-feira foi batido o martelo e quem chega é o técnico campeão da Série B de 2014 com o Joinville, Hemerson José Maria.

Só que um ponto ficou claro e nítido: o problema do Joinville – que vem se arrastando desde o decreto do rebaixamento – não é culpa apenas de um treinador. É proveniente de uma série de descasos, do jogador ao presidente. Por isso, abordarei neste post os principais desafios de Hemerson Maria no comando do JEC.

1) Recuperar o grupo. Esta frase pode soar com vários tons – e deve. O grupo de atletas do Joinville está perdido, cansado, sem confiança e sem vontade. Ao menos é a impressão deixada a um sócio-torcedor de arquibancada, que ao ver um atleta caminhando em campo, repensa o investimento mensal de oitenta reais injetado no clube para ver jogos contra times nanicos de Santa Catarina, no Estadual, e do Brasil, na Série B. Sendo assim, Maria deve recuperar o elenco tricolor e deixá-lo focado, assim como fez brilhantemente em 2014 – o que culminou com um título nacional. Afinal, quem diria que Edigar Júnio, Ratinho e Rogério jogariam tanto como o fizeram na passagem do manezinho no banco de reservas?

2) Conquistar a confiança da diretoria. Ok, tudo bem, você pode perguntar: “mas ele já não tem a confiança da diretoria, visto que ele foi recontratado num momento crítico?”. E aí é que está. Não exatamente. Permita-me uma breve explicação: a maioria dos dirigentes esportivos não tem como mantra principal a confiança no profissional, mas sim na ‘média’. O que quero dizer com isso? O cara conquistou o maior título da nossa história, e a torcida se lembra disso. É um alento a muitos, boa parte da torcida vê com bons olhos um campeão da Série B disputando novamente a Série B. E ok, é válido. O problema é que – e os mais atentos lembrarão – Maria já foi pivô de algumas polêmicas com dirigentes, incluindo o disse-não-disse sobre Ricardo Oliveira (onde foi especulado que o artilheiro do Brasileirão passado só não veio jogar pelo Tricolor por veto de Maria, que negou a versão mesmo confirmada por Nereu) e com o provável novo presidente, Jony Stassun, que renunciou ao cargo (mesmo voltando atrás depois) quando Nereu optou pelo “fico” de Hemerson, decisão inaceitável para Stassun até então. Isso, claro, antes do presidente da Romaço ver que aquele mané iria dar o maior título do clube. Hoje em dia, dizem todos, as coisas estão resolvidas. Mas Hemerson Maria precisa provar aos quatro ventos que merece a confiança que já teve no seu tempo mais áureo.

3) Reconquistar a ala mais crítica da torcida. Um clube é feito basicamente pela torcida – sem ela, pode até fechar. Aliás, é pelo sócio-torcedor e pelo pagante que estamos onde estamos. E este é talvez o desafio mais difícil de Hemerson Maria: conquistar não só a confiança da diretoria tricolor, mas de sua imensa torcida. Maria precisa provar – com resultado e atuações convincentes – de que pode alegrar novamente o torcedor. Até lá, corre o risco de balançar a cada tropeço. E isso não é harmônico e compatível com um projeto que tem a meta de ser longo e cujos frutos se deseja colher a curto, médio e longo prazo. Talvez para isso – e não é nada bom – Maria tenha apenas duas limitadíssimas e esmagadoras opções: ou dá ao torcedor um futebol lindo, que encante, que faça a torcida se sentir no Camp Nou; ou dá resultados que convençam a todo e qualquer custo. Empates e derrotas serão duramente sentidas por uma torcida que outrora esteve desacostumada com resultados ruins e agora vem sofrendo e até perdendo a vontade que lhes sempre foi até a maior alegria: vibrar na Arena Joinville.

De tudo isso, minhas palavras finais neste dia agitado ao grande Hemerson Maria são: sorte não basta, agora é hora de trabalhar muito. Como sempre. Tirar leite de pedra, mostrar Deus pra quem não crê. Pressão não vai faltar, mas enquanto houver resultado, haverá também apoio. Bem-vindo de volta, mestre.

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