O inesquecível 29 de novembro de 2014

O dia 29 de novembro de 2014 começou à frente do Ielusc. Estava à espera de três colegas que iriam me acompanhar até Itápolis. A cidade no interior de São Paulo fica a 858 km de Joinville. Longe pra caralho! Saímos à meia-noite, estava trajado com a réplica da camisa do gloriosos JEC da década de 80.

Mas até chegar a esta cena, eu esperando a carona para pegar a estrada, tive uma complicada tarefa. É difícil convencer sua mãe que passar quase 24 horas viajando em um intervalo de 30 horas para assistir a uma partida de futebol seja necessário. Eu não precisava da autorização dela, é verdade. Um rapaz de 18 anos pode sair de casa sem avisar. Mas ele também precisa de dinheiro. E era meu pai quem financiaria minha viagem; sem o aval da minha mãe, ele não liberaria a grana.

Não fomos acompanhados de cerveja. Infelizmente! Sem motorista para nos levar, optamos por ir de bico seco. Não estávamos a fim de morrer antes de ver o JEC campeão da série B. Sem dúvidas as onze horas de Joinville a Itápolis ficaram maiores sem álcool. Meu Deus, como é longe essa cidade! Em compensação, esgotamos as discussões sobre o time – que depois de vencer a Ponte Preta simplesmente parou de jogar.

Passavam das 11h da manhã quando chegamos a Itápolis. Cidade simpática, que estava tomada por tricolores. Um restaurante lotado com as cores preta, vermelha e branca. Nem liguei por gastar quase 40 reais do meu contato dinheiro em um almoço. Estava orgulhoso. Eufórico. Faltavam poucas horas para o jogo começar.

Foi chegando ao estádio que eu percebi um pequeno problema que me foderia nas próximas horas. O calor. Puta que pariu! Nunca, na vida, me ferrei tanto por causa do Sol. A única opção seria ficar debaixo da arquibancada. Mas ela rangia de um jeito nada promissor. A minha sensação era de que viria abaixo a qualquer momento.

O jogo começou na minha velocidade: lenta. Estava morto – a cansativa viagem começava a cobrar seu preço e o calor acelerava esse processo. Porém eu estava animado. Cantei, tentei animar quem estava ao meu lado. Mas os times estavam estranhos. Ninguém atacava. Com a derrota do América-RN se desenhando, o empate salvava o Oeste do rebaixamento; o resultado também bastava ao JEC, que era campeão com este resultado. Mas, logo no início do segundo tempo, gol do Oeste.

O clima de descontração nas arquibancadas foi embora; entrou o de preocupação. Tornou-se de quase desespero quando a Ponte Preta chegou ao empate contra o Náutico. A atuação do JEC era desanimadora. Aquele time não chegaria ao empate, placar que garantia o título. Minha atenção agora estava voltada para o celular; acompanhava pelo Twitter a partida em Pernambuco. Foram minutos de pura tensão. Nem a chuva caiu para aliviar a angústia e diminuir o sofrimento.

A partir do apito final do árbitro, minhas lembranças mais vivas são do técnico Hemerson Maria agarrado à grade. Comemorava com os torcedores, como um torcedor. Eu conseguia ver as lágrimas do rosto do manezinho da Ilha.

Dentro do estádio, a comemoração não durou mais de 45 minutos. Pouco mais de oito horas depois de chegar à Itápolis, já estávamos partindo como campeões da série B. É claro que o título amenizou a viagem. Seria deprimente voltar sem a taça de campeão. Mas, exausto, jogado no banco de trás do carro, com a pele vermelha como a camisa que vestia, percebi que o dia 29 de novembro de 2014 nunca sairia da minha memória. Eu tinha visto meu time campeão no estádio!

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