Vizinhos são bem-vindos

Joinville. O que te vem à cabeça quando ouve esse nome? A cidade? O time? O príncipe da França que deu origem à colônia Dona Francisca que é o que hoje conhecemos por Joinville?

O JEC carrega um grande peso sobre as costas, meu amigo. Ou você acha que é fácil ter um nome próprio a zelar e ainda carregar outro? E é por isso que as histórias, culturas, tradições de JEC e Joinville se misturam, se completam. Quer queiram, quer não, o JEC é Joinville e Joinville é JEC. Caxias? Fluminense do Itaum? Não, camarada, aqui é JEC, p#!

Mas, absurdamente, farei uma declaração que contradiz basicamente tudo que costurei acima. O JEC não é e não pode ser uma cidade. Quer dizer, até aí é óbvio, porque como está explícito, somos um clube. Mas não foi bem isso que eu quis dizer. A questão é que o JEC carrega nas costas uma demanda muito maior de torcedores que uma cidade só – mesmo que a Maior do Estado.

Joinville – e aí sim falando exclusivamente do clube, como organismo e time – é a casa dos moradores de toda a região norte e nordeste de Santa Catarina, bem como – talvez falta de adversários melhores, talvez aquela paixão inexplicável, talvez qualquer coisa – do estado inteiro. Santa Catarina não tem um time só, tem vários. Mas da nossa grandeza não é qualquer um. E é cada pessoa que se sente atraído pela possibilidade real de assistir uma Primeira Divisão Nacional no estádio mais perto – ou não – da sua casa, é ela que o JEC deve prezar.

E não é brincadeira não, viu? Só de torcedor existente, no JEC se estima mais de 850 mil – número crescente a cada ano ou quiçá mês. É muita coisa. Disparados os maiores barrigas-verde.

Mas aí vem a questão: o que o JEC faz para atrair, de fato, um torcedor de São Francisco do Sul, Barra Velha, Corupá ou Garuva (entre incontáveis cidades mais) a encher o peito e cantar o hino? O que o traz pro estádio?

Falamos em Consulados na região. O projeto morreu. O JEC Móvel foi criado – e, claro, méritos ao clube! Bela iniciativa, de verdade! – mas se esqueceu dos nossos ‘vizinhos’.

É bom enfatizar o seguinte: O JEC não é grande demais para Joinville. É Joinville que ficou pequena demais para o JEC.

Livre pensar.

Atletiba? Grenal?

Muitos podem se questionar se podemos chegar ao patamar das duas enormes duplas rivais de nossos estados vizinhos. Sim, podemos. É claro que podemos. Mas isso vai nos demandar tempo, paciência, (mais) erros e (menos) acertos. Neste caso sequer podemos prever um prazo. Damos tempo ao tempo e veremos que limite ao JEC, nem o céu. Começando pela Sulamericana. Ou não.

O time de SC? O time do Sul? O time do Brasil?

Podemos ser clubistas, mas nunca alienados. Nunca seremos o “clube do Brasil” por razões óbvias – falta de apoio de tudo quanto é lado, despreferências midiáticas, desleixo empresarial, catimba da CBF – e tampouco do Sul. E nem de Santa Catarina.

Mas a razão é simples: nem o Corinthians nem o Flamengo representam o Brasil (exemplo citado pelo número de torcedores expressivo). Como é que alguém poderia representar alguma coisa neste sentido? Como pode um time catarinense escrever que é o clube de SC (detalhe: já vi dois times escreverem isso. Um é virgem nacional. Outro tem menos estaduais que nós)?

Somos o JEC e não precisamos dizer que somos o clube disso ou daquilo simplesmente por sermos quem somos. E ponto.

Regionalizado e expandindo cada vez mais nossos horizontes, ninguém sabe onde poderemos chegar. Mas sabemos onde estamos agora – e se a Série A não está boa, do plano gerencial podemos ver luzes demais no fim do túnel.

Saudações joinviloucas.

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