Joguem com raça, cantaremos com amor

O torcedor é movido quase sempre pela emoção, não pela razão. Isso é uma das poucas certezas que podemos ter sobre o futebol. Porém, minha parte racional sempre me deixou muito lúcido em relação às pretensões do Joinville Esporte Clube na série A do Campeonato Brasileiro: brigar para não ser rebaixado.

Os níveis técnicos da primeira e segunda divisão são separados por um abismo, e para pensar em chegar no topo é preciso contratar. Só quepara contratar é preciso ter dinheiro. Dinheiro o qual não temos, comparado aos “grandes”.

Voltando a elite depois de quase três décadas, com um time modesto, e uma das folhas salariais mais baratas entre os 20 clubes da elite, nem o torcedor mais fanático consegue driblar a razão e almejar algo a mais do que brigar para não cair.

Mas o que mudou dos cinco primeiros jogos em relação ao deste sábado contra os galinhas? A forma de jogar. Sem dúvida nenhuma ontem pude ver outro Joinville em campo. As cinco primeiras rodadas me fizeram pensar que seríamos humilhados por grande parte dos adversários, e voltaríamos para a série B de cabeça baixa, por ter jogado covardemente, com medo, sem raça e sem vontade.

No jogo de ontem vi que, mesmo no meio de gigantes, podemos fazer um bom campeonato, independentemente da posição que ficarmos, sendo rebaixados ou não. Ser rebaixado, para nossa realidade, não é vergonhoso. Vergonhoso é cair sem lutar. O Joinville, nos seus 39 anos de história, sempre foi um time de raça. Não poderia ser diferente agora, justamente agora.

Em poucos gestos e alterações feitas pelo Adilson Batista, vi que as coisas podem ser diferentes daqui pra frente. Sem essa de cadeira cativa no time. Sem essa de jogador acima do peso. Sem essa de passar a mão na cabeça. É assim que tem que ser, só joga quem tiver bem e com vontade de honrar a camisa Tricolor.

Talvez não seja na próxima rodada a nossa primeira vitória. Talvez não consigamos nos manter na série A em nosso primeiro ano de participação depois de quase três décadas longe da elite. Mas uma coisa jogadores, comissão técnica e diretoria precisam entender: somos o maior clube e a maior torcida de Santa Catarina, e esse orgulho ninguém pode tirar de nós.

 

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