Da fênix e do leão velho

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Está mais do que na hora do JEC empolgar no Catarinense – e isso é consenso entre a torcida. Mas para isso acontecer, o que será que falta? Vontade? Inteligência? Qualidade?

Vamos por partes. Primeiro: será mesmo que a equipe que venceu merecidamente a Série B e encantou a torcida precisa de mais qualidade? Isso seria, no mínimo, estranho. Atuações de gala do contestadíssimo Rogério, encantos deixados pela dupla Naldo e Anselmo e a melhor zaga da Série B composta por Bruno Aguiar e Guti. Isso era o JEC – mas não é mais. Todos esses jogadores, é bem verdade, já não são os mesmos. Mas a pergunta não é “como?”, e sim “por quê?”.

Vontade? Será que esses atletas, tão comprometidos com o clube e gratos pelo que ele fez – principalmente os remanescentes do título – não tem raça suficiente para dar ao torcedor a melhor alegria que um clube catarinense pode ter no primeiro semestre? Isso também seria estranho. Estranho e, obviamente, suficientes para iniciar uma gigantesca crise interna e derrubar alguém ou alguéns.

Mas então, o que pode ser? Inteligência? É, talvez.

Talvez porque Hemerson Maria, campeão da Série B conosco e o melhor técnico da competição por méritos dele e do grupo, sempre às ordens, não é mais o mesmo. O gênio anda explosivo, o troféu subiu à cabeça e o que não aumentou – como o ego e a autoestima – foi sua qualidade como treinador. Suas substituições já não fazem o efeito de antes. Seus esquemas táticos não são mais mortais. Suas conversas de intervalos parecem as mesmas que se tem num café da tarde.

E eu vos digo, torcida, que todo ser humano tem limites. Talvez o do técnico Hemerson Maria já tenha passado. Insistentemente, tenta repetir o êxito – ou sorte – que teve no comando Azurra e nos dar o título ao mesmo tempo em que faz do Catarinense nosso laboratório de testes. E faz, assim, de cada jogador um rato sem se importar: “tá bom pra você?”.

Gustavo Sauer saiu. Ivan saiu. Dois atletas de Série A estão sem série. Estranho.

Eis minha opinião: Hemerson é bom comandante com atletas submissos e comprometidos, mas acima de tudo, diferenciados. Ano passado, tínhamos Saci, Jael, Edigar Júnio disponíveis e mortais. Tínhamos ainda Rogério e Anselmo em fases ótimas.

Esse ano as coisas mudaram. Não temos o mesmo elenco. E, não por falta de esforço da diretoria, estão vindo poucos reforços.

Mas a torcida anseia não por um título catarinense. Em primeiro lugar, queremos um futebol, e não um laboratório de testes com riscos explosivos.

Ou as coisas mudam no Joinville, aderimos a uma identidade com nossa foto, para dizer que temos um futebol com a nossa cara, fazemos esquemas táticos e usamos os melhores jogadores ao invés de mandarmos embora, ou então nossa subida à série A e o próprio acesso ao hexagonal podem estar ameaçados.

Que fique claro – sou favorável, um dos mais, à permanência de treinadores por longos períodos de tempo. Um ano, para mim, ainda é pouco para o que um técnico pode fazer para um clube. Mas isso funciona com técnicos flexíveis. Que, como a fênix, renascem e alçam voos toda vez que algo acaba.

Hemerson Maria não é um técnico fênix. Hemerson é um técnico leão velho: já deu o que tinha que dar e hoje vive de sua história.

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Não somos de ferro. Somos torcedores. Somos passionais. Somos jequeanos. E queremos um JEC de elite não só nas tabelas da CBF. Queremos ser Série A em campo. E, para isso, as coisas precisam mudar. Seja qual for o momento de mudar, esta é essencial.

E que venha a nossa fênix.

 

 

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