Não foi bom, mas podia ter sido pior (Ou: O primeiro teste pré-Brasileirão)

Não era fácil, mas também não era impossível vencer o Avaí no primeiro dos muitos clássicos catarinenses que virão nesse que promete ser o melhor Estadual de todos os tempos. A vitória era esperada, uma derrota era improvável e um empate nem se cogitava. Mas foi o que aconteceu.

Joinville 2, Avaí também 2. Rafael Costa, Marcelo Costa e Anderson Lopes (2x) foram os autores dos gols dessa partida que pegou fogo.

Foi a primeira partida oficial do ano depois de três treinos. O que era esperado era o que se teve nos treinos: uma defesa que venceu uma série B e um ataque não tão fulminante quanto o que terminou a segunda divisão nacional.

Se um 0x0 seria provável no caso de empate – nem faz, nem toma – o resultado foi diferente.

Começamos o jogo bem. À vontade e contra um Avaí perdido, não foi difícil fazer dois gols nos azuis da capital – e cabia mais. Com o oportunismo do baixinho goleador Rafael Costa, na área, e a garra do capitão Marcelo, fora da área, o JEC parecia com certeza aquele time campeão que acostumou a torcida a lindos jogos de enorme qualidade.

E aí, aconteceu o que doeu nos olhos da torcida mais apaixonada de SC: o Avaí acordou. E não deu moleza ao JEC até que aos 42 do primeiro tempo fez o que antes estava a quilômetros de distância: um gol, com um cara chamado Anderson Lopes.

E aí veio o intervalo, e tome água, e tome bronca, e tome orientação… E os times voltaram a campo gostando do jogo.

E aí foi a vez do Avaí desfilar na Arena. Dominando o jogo como o Tricolor fazia na etapa anterior, não foi difícil marcar outro gol que abalaria demais a Maior do Estado. E Anderson Lopes foi novamente culpado pelo baque nos tricolores.

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Se teve erro da arbitragem? Meu amigo, teve hora que a torcida não sabia se o jogo era dos dois times ou do juiz, que parecia dizer “eu só quero 90 minutos de fama!”. Mas não pode servir de desculpa.

Fim de jogo, 2 a 2 e uma lição para um time que não soube administrar uma vitória parcial por dois gols.

Sobre a equipe tricolor, achei que o time já começou entrosado – diferente do início azurra de jogo – e que a qualidade e o estilo de jogo não mudaram muito do campeonato da B para cá.

Ivan não deixou a desejar – e aliás chegou a impedir que os avaianos saíssem de Joinville cantando vitória. A dupla de volantes, Naldo e Anselmo ainda precisa voltar a jogar como terminou a temporada passada, contudo jogou muito hoje. Rogério, sem o ritmo que fez com que caísse nas graças da torcida ano passado, até que foi bem, mas era um desses que a gente sabe que pode mais – inclusive cabia mais maturidade, pois não precisava daquela expulsão que deixou um problema o pro Hemerson Maria. Marcelo Costa deu o gol e um show de bola, mostrando que, assim como um bom vinho, consegue melhorar com a idade. Anunciado como volante, veio um cara com nome de imperador: Augusto César. Mas não foi na função anunciada que em campo se sagrou a grata surpresa da partida e, não fosse a falta de ritmo, certamente poderia ser o diferencial que faltou para mantermos a vitória. Rafael Costa correspondeu à expectativa do torcedor e anotou o primeiro gol do JEC no estadual com a categoria que mereceu a ocasião. Fernando Viana fez o feijão com arroz mas cumpriu sua função. Assim como Fabinho, com quem a torcida se acostumou a lindos gols, e Bruno Furlan, de quem a torcida ficou esperando a reedição daquele único gol da pré-temporada que não saiu dessa vez.

Já Luis Felipe ainda não mostrou a que veio. Não que comprometeu, mas esteve perdido em campo e não mostrou uma boa visão de jogo apesar da experiência que tem. A dupla de zaga foi bem individualmente, mas no coletivo pareciam aqueles amigos inseparáveis quando brigam – e a torcida não entendeu como perderam aquele entrosamento. E Eduardo, o meia que chegou recomendadíssimo depois da grande passagem pelo Ceará, ainda não despontou e deixou ao torcedor a pergunta: cadê o Gustavo Sauer?

Melhor tricolor em campo

Na minha opinião, mesmo jogando pouco tempo, Augusto foi o melhor em campo. Se seguir jogando como hoje, vai ser a grata surpresa tricolor nessa temporada.

Destaque negativo

Quem não foi lá muito bem e pra mim foi o pior tricolor em campo foi Luís Felipe. Mas calma! Se tivermos paciência, pela experiência deixada por jogadores como o próprio Rogério, o lateral direito tem muito a evoluir com a camisa tricolor.

E a Salfer

Ouvi nas arquibancadas: “Na internet exageram! Já arrumaram a camisa e olha, não é a mais bonita do mundo, mas continua sendo a melhor de SC. Até com a Salfer ali! Pelo menos não tá esse negócio vazio e desinteressante do Avaí… Ah, pessoalmente nossa camisa tá bonita, vai?”.

Não deve mudar a cor. Quem viu hoje, deve ter visto a camisa que segue até o começo do Brasileirão – isso se até lá não pintar mais um patrocínio pra frente da camisa pra somar à Salfer.

O pódium

Depois da rodada de hoje, continuo com meu palpite de uma final entre Chape – a matadora dos colorados – e JEC vencida pelo clube da maior cidade de SC.

Entretanto, o Avaí surpreendeu positivamente e pode sim incomodar mais na frente. O Figueira e o Crica sempre vão dar trabalho. O Inter de Lages decepcionou e, enquanto o Marcílio e o Metrô devem disputar para ser “o maior dos menores”, o Atlético de Ibirama deve fazer uma temporada daquelas “não fede mas não cheira” e o Inter e o Guarani devem disputar pra ver quem cai primeiro.

Mas ainda tem muita bola pra rolar…

Um comentário sobre “Não foi bom, mas podia ter sido pior (Ou: O primeiro teste pré-Brasileirão)

  1. Pois é, o time deu uma apagada no segundo tempo, parecia todo mundo meio perdido… O Augusto jogou muito, acho que não precisava ser substituído tão cedo, mas foi a escolha do técnico…

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