O Joinville reencontrou o seu torcedor – e vice-versa

Torcida tricolor volta a ocupar os gramados da Arena – que cena linda!

Olá, amigo tricolor. Esse relato é, antes de mais nada, um relato estritamente pessoal. Então, caso não queira ler, eu entendo: a gente tá muito mais focado em coisas mais genéricas e universais. Nesse caso, eu recomendo ir a um site qualquer de notícias por aí – mas aí, se aceitar uma dica, recomendo apenas que passe reto pela caixa de comentários.

Mas esse texto é sobre um reencontro. Não um reencontro tão intenso quanto o da clara com o ovo, mas ainda assim um reencontro que toca a alma e brilha os olhos. É um reencontro de um clube com seu torcedor. E aí, por ser um relato pessoal, o torcedor no caso sou eu. Mas poderia ser você. Seu pai, sua mãe, seus irmãos, suas crianças ou seu cachorro. O reencontro de um clube com sua nação de apaixonados, eu diria.

A gente, que é jequeano, a gente sofre. É sério. É a regra geral, não a exceção. Se alguém for matemático ou estatístico aí desse lado, pode me ajudar: a porcentagem de chance do Joinville desapontar seu torcedor é, de acordo com o Instituto Sou JEC de Estudos Tricolores Estapafúrdios (ISJETE), de mais de 76%. Em síntese: se ser torcedor é garantir a decepção, se associar ao tricolor é assinar o famoso papel de trouxa.

Todo esse resuminho foi só pra dizer, como Luana Piovani, que “dá muito trabaaaaaaalho” torcer pro Joinville, acompanhar as notícias, ter interesse nos bastidores e querer o bem do clube. Some isso a você ser uma pessoa que é do signo de câncer e, de acordo com os entendidos do zodíaco, portanto nasceu com vocação pra sofrência e pra trouxice aguda. Enfim. Já deu pra entender, né?

O que eu vi e vivi ontem na Arena Joinville, no entanto, foi aquela parte da vida jequeana que é tão rara que quase inexiste – e na verdade existe e sempre existiu, mas às vezes a gente esquece: os famosos dias de glória (já que os de luta são basicamente… todos). Todo um jogo de imagens, áudios, luzes… toda uma experiência que, posso afirmar sem medo de errar, foi projetada justamente para fazer acontecer esse reencontro entre cada momento glorioso guardado no coração dos jequeanos com eles mesmos.

No telão, as imagens e a narração da final do Catarinense de 2000. O tricolor pega a bola. A partida. Fabinho Santos com a bola. Gol! Fabinho comemora, ajoelhado no gramado. As luzes do telão se apagam. A Arena está completamente escura. De repente, um holofote. É Fabinho. Ajoelhado. Na mesmíssima posição. Comemorando. Emocionado. Arrepiando centenas de jequeanos que, com os olhos brilhando, pensam: “É, professor. A tua parte jogando foi feita. Agora a missão é outra. É dar, da beira do gramado, novas conquistas pra esse clube que é tão grande”.

E porque é isso mesmo. Joinville é isso. Não, Guilherme, não, leitor, o JEC não é bagunça! Gestores e fases ruins todo clube tem. Mas nem todo clube tem momentos tão lindos, histórias tão gloriosas, conquistas tão emocionantes. O clube que nasceu campeão não pode estar fadado ao apagar das luzes. E, por isso, ou sua história voltará a ser iluminada a partir da luz de sua torcida, ou não será. Sem meio termo algum.

Pintura exposta na Arena Joinville relembra a ‘sua história gloriosa, dos idos de 76’, como o nosso hino canta

O Joinville finalmente entendeu que o reencontro mais puro com a sua torcida é o único caminho para voltar às glórias de outrora. Aos poucos, parece que depois de anos se arrastando, a caminhada vai tomando um rumo definido. E se os resultados que esperamos não vierem hoje ou amanhã, eu acho que a gente até vai entender. Porque, a partir do momento que o clube tem a humildade de reconhecer que sem seu torcedor nada será, o torcedor se sente parte disso. E, quando a torcida consegue se sentir apto a ajudar a mudar a história do clube que ama, coisas boas tendem a acontecer.

Eu nunca vi coelho voar – acho que, salvo alucinógenos ou delírios, ninguém viu. Mas eu sei que coelho consegue pular. E eu acredito que, depois desse sincero reencontro que eu tive, minha alma com a alma do meu clube, o Tricolor dos tricolores vai conseguir, pulo em pulo, recuperar o espaço que deveria ser dele. Um clube para dar mais alegrias e glórias à massa jequeana e menos vexames e decepções.

Eu voltei a botar fé na garra desse coelho. Voltei a acreditar que o clube que nasceu com a taça na mão pode ser campeão. Do que quiser. É só… querer.

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