Eu vou resgatar o meu JEC, mas só se ele quiser me resgatar também

É preciso reconhecer que o Joinville Esporte Clube clama por uma reconstrução, mas se esquece de quem pode ajudá-lo: o torcedor comum

O discurso, a parte teórica, é lindo: um clube que se perdeu na sua história e agora clama para que a torcida, o empresariado e a região toda ajudem-no a se reerguer.

A parte prática, no entanto, mostra que não é bem assim.

O Joinville Esporte Clube tenta riscar uma imagem que começou a se desenhar no fim de 2014, quando conseguiu subir para a elite do futebol brasileiro – a Série A, e com isso decidiu cobrar do seu associado uma décima terceira mensalidade. Ou seja: por falta de preparo ou mero maucaratismo, cobrou do seu sócio essa subida.

Uma subida que, na prática, foi o começo da queda. No ano seguinte, preços exploratórios marcaram o plano de sócios e os ingressos para assistir aos jogos. O Joinville tentou mobilizar a cidade para fazer com que o Brasileirão fosse um evento sem precedentes na cidade, só que mirou num público que é limitado financeiramente, e acertou no fracasso. Poucos jogos encheram de verdade a Arena, e é bem verdade que quando a Arena encheu não foi pela força ou pelo futebol do tricolor, e nem pelo amor de seu torcedor, mas sim pelo tamanho de seus adversários.

Como nada acontece por acaso, o Joinville caiu. Em 2016, jogou a Série B e caiu novamente. Em 2017, já estávamos disputando a Série C. E o que mudou? Alguns reais a menos nos ingressos e mensalidades, mas nada significativo e nem que trouxesse o torcedor de volta. A verdade é que de meados de 2016 até o início de 2019 o Joinville passou sem conseguir colocar cinco mil pessoas no seu estádio. Isso é quase impensável, mas é bem crível e explicativo quando se analisa toda a situação.

Pois bem, a finalidade do texto não é bater em alguém, em uma instituição, que já está calejada. É tentar ajudar. Construir algo, ter um propósito.

O Joinville precisa entender que sua força na história sempre se deu quando foi empurrado pelo seu maior aliado: o torcedor. E precisa reconhecer que hoje não chama carinhosamente o torcedor para estar junto. Não está inserido na comunidade e não tem apelo algum para incentivar que a classe mais baixa tenha interesse algum em acompanhar essa instituição que se apresenta sempre tão fechada.

Sugiro o seguinte: se entende que precisa ser reerguido, então que se aproxime de quem pode fazer isso. Empresas apoiadoras vem e vão. Quem fica é o torcedor. Mesmo que de longe, ele sempre continua ali. E só depende do clube para mantê-lo.

Grandes exemplos já rondam o futebol brasileiro. Do Pará ao Rio de Janeiro, no Paraná e até em Santa Catarina, já se entende que a saída para essa crise é a reaproximação com o grande público. Afinal, não se joga pra ninguém. Sempre se joga para alguém. E esse alguém, então, que assista ao jogo!

Só iremos conseguir resgatar o Joinville se o Joinville nos resgatar enquanto torcida. E, para isso, é urgente que seja revisto o preço do ingresso no estádio, porque se precisa pensar no torcedor de baixa renda. Promoções pontuais não bastam: é necessário que haja, no mínimo, um setor popular na Arena Joinville. Ingressos a R$ 15 já trariam muito mais gente para os jogos, sobretudo numa Série D de campeonato brasileiro.

Além disso, para fidelizar o torcedor como associado, R$ 50 ainda é um valor muito alto e pode ser revisto.

O futebol é muito mais que um negócio, Joinville Esporte Clube. Futebol é do povo e deve ser pensado para ele. O balcão de negócios importa para manter um certo equilíbrio, mas quando se deixa de pensar nas pessoas, se perde todo o sentido.

Enquanto Joinville e joinvilenses não andarem lado a lado, um ajudando o outro, resgatar o JEC não fará sentido algum.

Um comentário sobre “Eu vou resgatar o meu JEC, mas só se ele quiser me resgatar também

  1. Perfeitas as suas colocações! Vi muito torcedor fanático se desiludir e deixar de ser. Vai e vem diretoria e o desrespeito com os torcedores só continua.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *