#JEC42anos – Bodas, história e futuro: o aniversário de um gigante

Ouvi dizer, certa vez, que clube de futebol não aniversaria: faz bodas com o torcedor. Se a lógica do camarada estiver correta, o Joinville Esporte Clube faz hoje, com cada um de nós torcedores, as bodas de prata dourada. Bodas com o seu Raul, que torcia pro Caxias e passou, quarenta e dois anos atrás, a ter o coração pintado também com vermelho. Bodas pra dona Marta, americana fanática, que sentiu o preto somar-se às cores do escudo. Bodas com a garota Gabriela, nascida não faz nem cinco anos, mas que já foi com os pais pra ver três finais de estadual e um jogo decisivo de uma série B – que culminou no nosso maior título. E, é claro, bodas também com o menino Henrique, que ainda nem saiu da barriga da mamãe mas já tem o seu ultrassom pintado com o nosso tricolor.

Bodas com todos, jequeano a jequeano.

Um clube é feito de histórias, e toda história tem atores envolvidos. São pessoas, como eu e você. E cada um tem, ainda, a sua própria história. Como a primeira vez que viu seu olho brilhar ao ouvir falar “desse tal de JEC”. Como a primeira vez que conseguiu ir pro Ernestão, pro Olímpico ou pra Arena ver um jogo de futebol. Como a primeira vez que sentiu o coração bater mais forte com um gol. Como a primeira vez que sentiu que o peito fosse sair pela boca com a alegria da vitória e, arrepios, do título. Como a primeira vez que chorou com uma derrota, um vice-campeonato, um rebaixamento.

Alegrias. Glórias. Conquistas.

Tristeza. Derrotas. Declínio.

Não é só com o clube que torcemos que vivemos altos e baixos. A vida é, como já disseram, uma grande gangorra. Relacionamentos, mundo profissional, patrimônio e finanças. A gente sofre agora, a gente vibra outrora. E vice-versa. Por que seria diferente com o clube que escolhemo-nos – a gente o escolheu, e ele nos escolheu reciprocamente – para amar?

Hoje, o nosso Tricolor faz 42 anos. Em 29 de janeiro de 1976, a partir da fusão do América e do Caxias, só se falava da criação do Joinville Esporte Clube. Um clube que foi criado para unir toda uma cidade em prol do futebol. Um clube que conseguiu fazer de rivalidade, amor fraterno. Um clube do povo.

E foram tempos diferentes ao longo destes anos.

Ora, o clube nasceu campeão e, com dez anos, já era campeão do estado por nove vezes – a primeira logo no primeiro ano e as demais oito de forma ininterrupta. Respeita o octa, pô! Foram anos dourados, com direito a belíssimas participações no Campeonato Brasileiro da época. Com Fontan, com Nardela, com Bosse, com Maringá, com Alfinete, com Borrachinha. Com toda essa gente.

E aí, até os tempos recentes, houveram altos e baixos também.

E, quando eu falo de baixo, aí eu apelo mesmo. Foi Divisão Especial do estadual. Foi ficar um ano inteiro sem competição nacional. Foi emprestar um time inteiro pro Juventus de Jaraguá pra cumprir calendário. Foi aguentar, calado, dias e dias de choro baixo, por dentro e por fora, aquela frase: “e o teu JEC, hein?”. E a gente não sabia. Nem se ia, nem se ficava. A gente só torcia pra que aqueles dias ficassem pra trás.

Mas a gente não desistiu. E o negócio voltou a ficar bom.

2011. Primeiro título nacional. Conquistávamos o título da série C com direito a goleada sobre o Brasiliense e sobre o CRB.

2012. Quase subimos pra série A. Com um elenco limitadíssimo! Rapaz, já pensou? O nosso JEC tava melhorando…

2013. Aquele jogo contra o Santos pela Copa do Brasil avisava: vem coisa boa por aí. E não é que, por mais um ano, ficamos em sexto lugar na segunda divisão?

2014. Que ano mágico. Com direito a vice-campeonato catarinense com gol de mão do DEMONHO do Maranhão. Mas bola pra frente. Hemerson Maria montou um ESQUADRÃO. Ivan, Ratinho, Bruno Aguiar, Guti, Saci, Naldo, Anselmo, Everton, Marcelo Costa, Edigar Júnio, Jael. Fernando Viana. E vocês lembram de tudo – eu sei. Do WO contra a Portuguesa pela primeira rodada e da liminar do Laudir Zermiani até a ponte que caiu e aqueles minutos que pareciam dias lá em Itápolis, vendo duas tevês ao mesmo tempo. Foi fantástico. E, cara, além do maior título nacional, o da Série B… Cara, a gente voltou pra elite do futebol. Vinte e oito anos depois… Série A, cara!

Mas aí…

2015. Um título pra conta, que conseguiram nos tirar fora de campo. E a zica começou aí. Voltamos a receber grandes equipes e fazer grandes duelos, mas o resultado não vinha. E o despreparo virou desespero. E aí, mal começou e já acabou. O Joinville era rebaixado e voltaria à série B. “Voltaremos”, o torcedor murmurava, triste.

2016. Outro vice. A torcida mal se doía pelo rebaixamento e já teve que – pegando água da chuva na cabeça ou não – ver o JEC perder o título lá em Chapecó. E, como desgraça pouca é bobagem, o que nem o mais pessimista dos torcedores imaginou acontecia no final do ano. Depois de cinco anos, o Joinville saía do topo do cenário nacional e voltava à judiação do submundo do futebol brasileiro. A série C era nosso destino.

2017. Tudo começou estranho quando não fomos às finais do estadual. Mas ok, o foco era subir. E aí, teve todo aquele rolo, né? Briga pra todo lado, crise de todo canto. Era salário atrasado, era fornecedor metendo pressão. Mas ok, o foco era subir. Aí é que tá. Não subimos. O Joinville ficou na terceirona por mais um ano.

2018. Aqui estamos. Uma página em branco para a diretoria, os funcionários e a torcida se perguntarem: e agora, qual vai ser? Tudo é história. Mas é preciso lembrar disso. Pra onde iremos andar? Pra frente? Pra trás? Pra cima? Pra baixo?

As nossas bodas de prata dourado, meu Joinville, merecem uma comemoração especial. Você decide. Surpreenda-me.

Positivamente, eu te peço.

Parabéns pra nós todos!

7 comentários sobre “#JEC42anos – Bodas, história e futuro: o aniversário de um gigante

  1. Achei um momento marcante na manhã do aniversário do JEC na Sociesc . Desde a concepção , mesmo que inicial , de uma nova gestão e plataforma para a TV JEC, das conversas de José Mira com o Paulo Egídio explicando o atual elenco tricolor, do Charles Fischer entrevistando empolgadamente a bela loira que desfilou com o uniforme do JEC, da justa homenagem ao goleiro Marcos , também a Nardela (é claro) , da foto da diretoria reunida, mostrando a união do Clube, da presença de vários conselheiros do JEC no evento, da presença da imprensa televisiva , do Rádio e escrita, outros . A mídia esportiva joinvilense também faz parte da história do JEC , através de todos estes anos, acompanhando nosso clube do coração e da cidade.

  2. Pela disponibilização em plataformas de relacionamento com torcedores em mídia digital, pela internet, em suas próprias TVs (TV JEC, por exemplo, do Joinville Esporte Clube) , os clubes automaticamente são internacionais . O futebol brasileiro é riquíssimo e fonte inesgotável de formação de craques para todo o mundo. Uma eficiente negociação poderia ser feita imediatamente para todo o continente americano , face ao próximo fuso horário. A progressiva gestão transparente dos clubes , por estas plataformas de mídia digital, induzirao investimentos externos globais para a realização de ligas Independentes , em formato de vários campeonatos. Um fator indutor ainda ignorado como indutor de investimentos são as bancas internacionais de apostas, que poderiam ser decisivas, mediante o fim do monopólio da Caixa Econômica Federal para os jogos de azar no Brasil. A formação e formatação de ligas Independentes de clubes é eficiente direção a seguir.

  3. A indexação por pay-per-view , de jogos , para os torcedores, diretamente no portal digital de cada clube (TV Flamengo, TV Atlético Paranaense, TV JEC, outros) , poderia ser um fator decisivo para a imediata internacionalização dos clubes, aumentando suas receitas diretamente através do torcedor, induzindo , pelos investimentos internacionais em ligas Independentes, conteúdo de excelência, em jogos dos clubes de futebol brasileiros como produto de entretenimento global . Mais uma vez , e quantas forem necessárias : “A reforma da gestão pública e privada do desporto nacional começa por onde termina : a Indústria do entretenimento” .

  4. Um dos principais elementos de gestão de um clube de alto rendimento do desporto é sua capacidade de formatar e vender ativos , incluindo a capacidade de licenciar o uso da marca . Este componente está se enfatizando pelas consolidações graduais de mídia digital , que abrem inúmeras possibilidades . É curioso que não há consenso , entre os clubes, sobre a modernização do artigo 42 da Lei Pelé , 9.615/98 , permitindo o licenciamento pelas Confederações do desporto (incluindo CBF) de estádios, arenas, centros de treinamento, outros . Este direitos de mídia , em eventos que ocorram em suas dependências , poderiam ser , mediante negociação, também pertencentes aos gestores destes ativos . Cada clube poderia optar por ser o acionista principal ou não destes ativos imobiliários , fomentados também pelos justos direitos de mídia .

  5. A falta de um consenso dos clubes, acerca de um modelo de formatação de títulos do desporto , a serem emitidos pelos clubes e outras entidades do desporto, a serem negociados em Bolsas de Valores Globais , também é uma curiosidade . A criação de entidade pública reguladora, homologadora e fiscalizadora de tais títulos é demanda cada vez mais urgente , na medida em que confere credibilidade e transparência aos investidores privados nacionais e internacionais do setor . Pela criação da Agência Nacional do Esporte .

  6. A questão principal não seria a alíquota de retenção da CBF , mas justamente a base de cálculo da somatória de receitas dos clubes . Além da indexação dos sócio-torcedores por pay-por-view nos portais dos clubes (TV Flamengo, TV JEC – Joinville Esporte Clube , por exemplo) , as receitas dos clubes poder ser somadas aos investimentos privados nacionais e internacionais por operadores de mídia , em licitações periódicas por direitos em ligas independentes e campeonatos . Estas licitações podem ser formatadas , levando-se em conta os direitos de mídia a serem criados dos agentes do desporto , mediante a modernização do artigo 42 da Lei Pelé, 9.615/98, prevendo direitos de mídia aos gestores de estádios , arenas , centros de treinamento, assemelhados, por eventos que ocorram vem suas dependências . Estes direitos de mídia seriam formatados diante dos licenciamentos da CBF , destes ativos imobiliários como sede de jogos de eventos do futebol .

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