Sintomático

É impossível descrever sinteticamente o que se passa agora na cabeça do torcedor do tricolor do norte catarinense. É um caldeirão: raiva, tristeza, decepção… É tanta coisa e, ao mesmo tempo, um vazio enorme, uma dor esquisita no estômago, um aperto doído no peito. É isso. Torcedor é assim mesmo. Não dá pra explicar.

O que a gente vai conseguindo, aos poucos, explicar é o motivo de o Joinville, passadas 18 rodadas, ficou de fora do G4 do seu grupo após uma goleada de 8×1 sobre o coitado do time do Mogi Mirim. A isso, atribuo um termo: sintomático.

O problema nunca foi dentro de campo. E podem latir, espernear, teimar. O time não entra em campo com 11 jogadores e só isso. Esses dias, ouvi que futebol, se fosse fácil, tinha milhares jogando e onze assistindo. É bem isso. Não é nada simples. É complexo. Mas o futebol não é a caixinha de surpresas que se prega. Surpresa é a incapacidade de analisar contextos como um todo. E o Joinville começou errando por aí.

O Joinville errou demais fora de campo. E, incrivelmente, as contratações foram os menores entre os erros. Grampola, Max, Charles, Renan, Lúcio, Alex, Bruno e mais a nossa base estão, sim, de bom tamanho para ficar entre os quatro melhores de uma série C. É claro que houveram erros. E é claro que não podem passar em branco. Mas isso é assunto para outro post.

Como você vai motivar o seu time dizendo que não conseguirá pagar seus salários? Como você vai deixar seu time tranquilo sem comida, sem lavar a roupa? A gestão do clube está de mal a pior. Falta dinheiro, falta gestão e falta humildade para que se reconheça isso tudo.

Falta bom senso também. Para começar, falta vestir a camisa. E não é só literalmente. Ir para o jogo do time que você é o presidente, o Joinville, com a camisa do Orlando City é sintomático. Vencer o último jogo, já quase desclassificado, golear um cachorro morto e dizer que fez a sua parte é sintomático. Jogador sair do ônibus do time com uma janela na mão para acertar um torcedor é sintomático.

E fala sério: onde Pingo é mais técnico que Fabinho Santos? Demitir um treinador que foi uma aposta e foi chutado de forma covarde para trazer um treinador ultrapassado foi um erro que os resultados em campo infelizmente não deram conta. Talvez se faça justiça agora, quando Pingo sairá para – como adiantado aqui – a chegada de Rogério Zimmermann, bom nome, que ficou cinco anos no Brasil de Pelotas e conseguiu reerguer o clube gaúcho. Isso acontecerá já amanhã, terça-feira.

No mais, é isso. Aliás, não é só isso. Mas é tanta coisa que um torcedor não consegue escrever tudo sem vomitar, ficar em posição fetal e chorar por umas três horas sem parar.

Segue o jogo. Na Série A, B, C ou D. No Catarinense ou na Copa SC. O jogo segue. O clube segue. As vitórias voltarão. Mas sabe-se lá quando.

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