O Joinville precisa rever sua sustentabilidade através da base

Não vamos falar, neste post, de termos que sejam lá muito avançados sobre economia e coisa e tal. Até porque quem assina a matéria sou eu, completamente leigo no assunto. Também não vamos fazer um dossiê sobre futebol ou sobre categorias de base. O que ocorre, no entanto, é que algumas coisas são sabidas por quem vá um pouco atrás do tema. É o caso.

Esta publicação tem como objetivo levantar o debate: o Joinville está usando bem sua base? Até que ponto o Joinville tem se tornado um time formador, vitrine de joias?

A lenda que se transformou Ramires ainda não reflete o que é hoje a base do Joinville. Foto: Rafael Ribeiro / CBF

Primeiro, vamos a um fato: é extremamente novo no clube, se em relação aos demais, a cultura de investir generosamente em suas categorias não-profissionais. Até porque o valor ainda não é o suficiente para quem vem, tal qual o Joinville, valendo-se da base para conseguir avançar em campo.

Dito isso, vamos começar a nos questionar. Por que Criciúma, Figueirense, Avaí e até a Chapecoense vem conseguindo fazer boas transações com seus garotos e, alguns destes clubes, conseguem até emplacar suas crias em seleções brasileiras de base? Será que nosso material humano é fraco ou o errado está na maneira do clube de gerenciar os atletas?

A questão da convocação é fácil, na humilde opinião deste que vos digita. Não há maneira alguma de atrair a atenção dos responsáveis pelas Seleções de base da CBF senão tendo um trabalho de destaque, reconhecido e talvez premiado. Então, se não temos transferências razoáveis ou até jogadores considerados um primor técnico, não atrairemos estes olhos para o Morro do Meio.

Certo. Adiante.

O Joinville hoje tem, entre titulares absolutos e jogadores com potencial para entrar em campo, vindos da base do clube: Matheus, Gustavo, Igor, Danrlei, Roberto, Kadu, Breno e Marlyson – isso sem considerar Madson e Janderson (ainda na categoria sub-20). Se buscar no DM, temos ainda o garoto Adriano. E se buscar os garotos do Morro do Meio que já cresceram um pouco, coloca na lista ainda o Jhonatan e o próprio Aldair.   

São de oito a treze jogadores valiosos oriundos das instalações tricolores na Estrada Barbante e o JEC conseguiria contratar jogadores por um preço menor. A lógica simples do lucro.

O blog Virando o Jogo fez um bom estudo de cotação de valores dos elencos da Série C. Hoje temos o segundo elenco mais valioso da competição e engana-se por muito quem pensa que somos o segundo melhor time por isso. Está errado. Os cerca de 25 milhões de reais atribuídos ao valor do grupo são, em muito, devidos ao potencial de venda dos garotos, visto que o elenco do Tricolor está repleto de jovens (média de idade se aproxima da casa dos 23).

Só para exemplificar: na série B passada, o volante Kadu valia – de acordo com o site TransferMarkt, R$ 3,3 milhões. Apesar de a idade aumentar um ano e de a divisão cair em uma letra, o valor certamente ainda fica próximo deste nesse ano. E isso falando de um jogador apenas, que geraria o valor de um patrocínio e hoje nem titular da equipe é.

Aqui, na tabela abaixo, estão as transferências mais caras do tricolor nos últimos dez anos. Só uma delas saiu da base tricolor. Uma. De cinco. E o exemplo nada mais é que ele: Ramires.

Jogador Idade Ano Destino Valor
26 2016
30 2016
24 2015
20 2007
22 2007

Ramires saiu por menos de meio milhão e hoje se mostra que saiu por um preço muito aquém – talvez até para a época. Hoje, será que não é a hora de recomeçar essa mentalidade de time formador de futuras joias do futebol brasileiro?

De qualquer maneira, ficam aqui algumas considerações:

1- Não é possível vender joias sem investir nelas. Qualificar cada vez mais a base e apostar na mentalidade de clube que dá a chance para os garotos é a única opção para que a filosofia dê certo;

2- O Joinville não pode, também, voltar a ser o clube que perde jogadores. Não pode sair de graça ou a preço de banana. Valorizar hoje para garantir o valor de amanhã;

3- É necessário que a cultura de base do Joinville se faça saber também pela torcida, que precisa entender a diferença de um jogador pronto para um jogador de base a ser lançado e fazer seu papel, mais apoiando que ‘corneteando’ em determinadas ocasiões;

“A base vem forte”, usam nas redes sociais do Joinville Esporte Clube. Tá. Ela vem forte, mas vai pra onde?

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