O Brasileiro vem aí: o que o Joinville leva do Estadual?

Sensação estranha, né? Depois de 3 finais consecutivas o Joinville terminou o seu primeiro estadual sem chegar entre os dois melhores da competição.

O resultado é desanimador, mas normal no que condiz com a atual situação do clube. O Joinville acaba o Campeonato Catarinense de 2017 em quinto lugar geral, com 6 vitórias, cinco empates e sete derrotas – são 23 pontos ganhos, um aproveitamento de 42,6% dos pontos disputados. Para quem gosta do momento máximo do futebol, o Tricolor marcou 16 vezes e teve a meta vazada outras 18 vezes, o que deixa o JEC com saldo de dois gols negativos na competição.

Para os que gostam de uma farra, posso dizer que o esquenta acabou e a festa já vai começar. Guarda na dispensa aquelas vodcas baratas, aquele energético da vendinha da esquina e aquela cerveja vencida da promoção porque a partir de agora pra se dar bem tem que ostentar a garrafa de Absolut, Ciròc ou Chandon na mão. Pra não ficar no zero a zero, sugiro no mínimo um baldinho da cerveja especial da casa.

Para quem está viajando, tento ser ainda mais claro. Acabou a pelada com trave de chinelo e vai começar a Copa do Mundo para o time do Joinville Esporte Clube. A torcida sabe que, apesar do gosto amargo da vice-colocação nas últimas finais e do jejum de 16 anos sem vencer o estadual, o foco total é nosso projeto de reestruturação, que passa fundamentalmente por um acesso à Série B já esse ano. Precisamos voltar para onde jamais deveríamos ter saído. A mesma diretoria que nos colocou nesta situação difícil tem o dever de nos tirar e, ao menos, nos devolver aonde estávamos. E, para isso, algumas medidas precisam ser tomadas.

O Catarinense pode, de fato, não valer muita coisa. Mas pode ensinar umas coisinhas valiosas pra diretoria do clube do norte catarinense. 

1- ATLETAS

O estadual mostrou que o time não está pronto para uma série C sem sustos. Creio que o ideal seja a vinda de mais um lateral-esquerdo, um meia armador e um centroavante matador, todos estes com status de titular, e ainda um zagueiro para ser sombra da dupla hoje tida como titular. Talvez uma destas peças possa ser alguém que desequilibre partidas difíceis, já que Lúcio Flávio, contratado com status de quem resolveria… nem titular consegue ser na equipe de Fabinho. Aldair, que consegue fazer o mesmo papel que o experiente meia, vem fazendo gols mas não consegue ser regular e por vezes parece que está fora da tomada dentro das quatro linhas.

Max e Danrlei mostraram que podem formar uma zaga mais raçuda que técnica, mas me parece suficiente para a Série C. Nas laterais, Caíque se destaca pela garra e por fazer sua parte tanto ofensiva quanto defensivamente, e na esquerda temos o jovem Gustavo, que me parece que ainda não está pronto, e o experiente Fernandinho, que é o famoso ‘dá pro gasto’.

Nas pontas, Alex Ruan vem surpreendendo positivamente. Bruno Rodrigues mostrou que qualidade não falta – o que falta é o famoso tesón que nosso ex-técnico Sérgio Ramirez tanto pregava. Junto com Breno, que mostrou que joga de volante até segundo-atacante e em todas as posições do meio pra frente consegue se destacar, estes atletas devem disputar a posição. Já Fabinho Alves mostrou que está no esporte errado: se for só pra correr, que se inscreva como maratonista. Futebol é mais que isso.

Bruno Batata e Ciro perderam espaço para um prata da casa ainda em aperfeiçoamento, Marlyson (este sim promissor), e foram muito aquém do esperado. Matheus viveu uma ótima fase e, na reta final, parece ter sofrido um pouco com a pressão e a sequência de jogos – mas ainda assim é meu titular, já que Jhonatan não está correspondendo às chances dadas. Roberto, grata surpresa, também vem numa decrescente que imagino ter a ver com o mesmo problema de Matheus. Kadu e Renan Teixeira, estes em fase ótima no pré-lesão, devem estar voltando para disputar, com Matheus e Tinga, um espaço nessa volância que promete ser o setor mais qualificado na temporada.

2- O COMANDO

Fabinho Santos tem ‘tirado leite de pedra’, fazendo um segundo turno excelente para uma equipe como a nossa. O padrão de jogo proposto pelo treinador está se mostrando eficaz e inteligente, mas para isso é necessário dedicação e foco por parte dos atletas. E, é claro, tudo também passa por peças que aguentem o tranco. É fato que a inexperiência ainda faz com que o treinador tenha algumas deficiências e que seu entrosamento com os garotos da base ajudou muito a campanha, mas com tempo e com mais peças acredito que o ex-atacante pode sim nos levar à segunda divisão novamente e, quem sabe, ficar por aqui ano que vem também.

3- E A CRISE?

As crises financeira e política são problemas da diretoria e do conselho, e precisam ser resolvidas exclusivamente por estes. O grupo se mostrou blindado no Catarinense e isso precisa continuar no Campeonato Brasileiro. É passada a hora de, de uma vez por todas, dar autonomia aos departamentos e estruturar o Joinville Esporte Clube.

4- A TORCIDA

A torcida mostrou que está indignada com o clube. A única fórmula que mostrou um pouco de eficiência foi em time bem + preço razoável + tempo bom, ou algo assim. A torcida do JEC, a quem Carlos Kila jogou o fardo de responsável, vem tentando se superar das duas quedas seguidas em dois anos. Sério, diretoria? O torcedor é que tem que reverter essa situação? Não é quem nos trouxe até o poço que tem de nos conduzir ao topo novamente?

De qualquer maneira, não temos muito tempo. Temos 35 atletas para inscrever (não necessariamente todos até o início da competição, mas enfim) e a nossa guerra começa no dia 14 de maio, em Erechim, contra o Ypiranga.

O Joinville agora precisa de foco, reforços e garra  para recuperar o ânimo de um torcedor que já está quase desistindo de trocar de divisão no campeonatos brasileiros, ano a ano. E a nós, torcida, cabe apoiar e não desistir jamais. Esquece tudo que passou e acredita: o Joinville está, aos poucos, voltando a ser o nosso JEC.

3 comentários sobre “O Brasileiro vem aí: o que o Joinville leva do Estadual?

  1. Pela concessão à iniciativa privada da Arena Joinville, agrupada à gestão de mídia digital nas dependências. Possibilitaria a conclusão da Arena (cobertura contra a chuva, aumentando o conforto do torcedor), e transmissão dos jogos pela mídia digital, o que poderia vir de encontro com efetiva plataforma de mídia digital do clube, possibilitando mais vendas de produtos associados ao clube e à parcerias de patrocinadores. Aumentaria, inclusive, o número de sócio – torcedores. O jogo Jec e Brusque, apesar da derrota de nosso clube do coração, foi um bom espetáculo para se ver domingo à noite. Pelo Jec, sempre !

      1. Prezado Guilherme Luiz. Parabéns pelo espaço independente de opiniões dos torcedores do nosso Joinville Esporte Clube, no “Soujec”. O objetivo é sempre somar aos debates.

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