Globo, YouTube e Federações: precisamos falar sobre o Atle-Tiba

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Mas o fato é que o futebol brasileiro acompanhou ontem um marco moderno de embate por parte da união de dois clubes historicamente e culturalmente rivais – Atlético Paranaense e Coritiba – contra um sistema dominante, formado por Federação Paranaense de Futebol e Rede Globo.

A treta, resumida: a Globo ofereceu R$ 1 milhão pelos direitos de transmissão do clássico, proposta essa rejeitada conjuntamente pela dupla curitibana. Ao invés de venderem seus direitos de transmissão, a dupla inovou anunciando que transmitiriam a partida cada qual em seu canal do YouTube, ao vivo.

Jogadores da dupla curitibana agradecem os jogadores: “obrigado por terem vindo, mas o momento aqui é histórico” – Foto da Gazeta Press

(Só um parênteses, antes que o assunto continue: queria eu que o Joinville considerasse pouco R$ 1 milhão de reais por transmissão do estadual…)

O resultado foi que a Federação Paranaense não credenciou a equipe que prestou serviços à dupla para a transmissão e o árbitro recomendou que a partida não começasse até que os doze profissionais de imprensa não credenciados (embora devidamente identificados) saíssem do campo. No fim das contas, depois de cinquenta minutos sem jogo, os jogadores agradeceram o público presente – juntos, em atitude emocionante – e saíram de campo, com ordens dos presidentes dos dois clubes. A Federação não teve dúvida, então: cancelou o clássico.

Pois muito bem. Reconhecendo o momento histórico e claramente aproveitando o gancho, perguntamos a nomes fortes do Joinville: qual o posicionamento do Joinville sobre o ocorrido no Atle-Tiba? O Joinville está satisfeito hoje com o contrato de transmissão de jogos que tem assinado?

Apresentação do Catarinense 2017. O representante do Joinville foi Carlos Kila (Divulgação/RBS TV)

Presidente do clube, Jony Stassun adotou uma postura cautelosa em sua resposta. “O contrato assinado com a RBS foi de três anos, e este (2017) é o último ano. A Associação de Clubes (de Santa Catarina), irá discutir internamente valores para o campeonato de 2018. Mas até lá, de qualquer forma, como é um contrato assinado temos que cumprí-lo”, disse o mandatário.

Questionado, o gestor de marketing do tricolor e sócio da VouNoJogo Diogo Amatto adotou o mesmo discurso do presidente, mas foi mais otimista em relação aos precedentes abertos no clássico. “Estamos vendo um futuro promissor, com mudanças”, comentou.

É evidente que a diretoria não vai querer criar desgastes desncessários com a Federação Catarinense de Futebol ou com a RBS TV, ainda mais num momento de fim de contrato. Mas é necessário ficar atento para ver como a FCF sem Delfim reagirá quanto ao próximo valor das cotas, bem como o papel da Associação de Clubes na cobrança por um valor maior. É preciso ficar de olho também para ver se a RBS TV, enquanto afiliada da Rede Globo, vai aumentar a proposta inicial já nos próximos anos para manter seu monopólio de transmissão. É inegável, no entanto, dizer que depois da era Waldomiro Schützer o Joinville jamais teve culhões de enfrentar poderosos por seus interesses – e um confronto desses nos parece estar muito longe de acontecer.

Enquanto isso, seguimos com o fio de esperança deixado pela dupla Atletiba, ainda sabendo que em Santa Catarina – principalmente aqui, na maior cidade, as coisas são sempre bem mais difíceis…

3 comentários sobre “Globo, YouTube e Federações: precisamos falar sobre o Atle-Tiba

  1. Bom….enquanto os dirigentes dos times, a federação e a mídia em geral, continuarem com conchavos e artimanhas de bastidores para levarem vantagens financeiras, eu não acredito que iremos mudar algo.

    Vamos ver como o Jony irá comportar com essa nova negociação que virá.
    E melhor…vamos ver se eles vão abrir para conhecimento de todos os valores negociados. Se vão mostrar para nós sócios-torcedores, qual foi o valor negociado e sua clausulas de transmissão para a praça do jogo e etc.

    Enquanto isso, vou ficar aqui esperando….e cobrando…!!!

  2. Saudações. A administração pública poderia também entrar no jogo. Joinville precisaria urgente uma formatação para a concessão privada da Arena Joinville. Com a concessão, poderiam haver recursos para a conclusão da arena, permitindo a cobertura completa, resultando em maior conforto e comodidade ao torcedor, com a proteção contra a chuva. Uma política de concessão a implantação pública de canais digitais (conteúdo de mídia) se faz urgente neste sentido. A administração pública economizaria em recursos para a comunicação com o povo, facilitando a implantação pública de ambientes com “wireless” vindo em encontro aos anseios da população. Estes canais de streaming facilitariam o acesso do torcedor às informações e eventos do nosso Joinville Esporte Clube. A mídia digital facilita o estreitamento de comunicação entre os clubes, o que facilitará a criação de ligas independentes. Estas poderiam substituir as datas de realização dos estaduais, que poderiam se tornar sub-20. Neste contexto, uma Liga Sul-Minas seria muito mais rentável aos clubes do RS, SC, PR, MG. Atrairia muito mais público aos jogos, que poderiam ser formatados em ambiente de mídia digital e redes sociais, aumentando o vínculo do torcedor com seu clube do coração. A própria venda de produtos vinculados ao clube é incrementada e facilitada pela mídia digital.

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