Por um 2017 com menos arrogância

13 de novembro de 2014. O Joinville havia acabado de atingir seu maior patamar em 28 anos no cenário nacional. O retorno à Série A do Brasileirão tinha sido concretizado naquele 4 de novembro eterno, em São Luís do Maranhão. O time estava na antevéspera do jogo do título – a vitória por 3 a 1 sobre a Ponte Preta. Era hora de euforia, comemoração e foco total no título. Mal sabíamos que, em meio a esse cenário vitorioso, aquele 13 de novembro marcaria o início da nossa queda ao patamar atual.

Naquela data, o Conselho Deliberativo do JEC se reuniu. Em meio às comemorações, os comandantes do tricolor se preocuparam em decidir sobre receitas: 13ª mensalidade, aumento nos valores dos ingressos e mensalidades de sócios, com um baita negrito alertando sobre uma provável majoração de preços em 2016, conforme você pode relembrar clicando aqui.

Essa foi a postura do clube nos últimos tempos: a arrogância. Subimos achando que seria fácil. Que o sócio era apenas patrocinador, e não cliente do clube. Chegamos na Série A pensando que, se times que até então eram do nosso porte e que nunca conquistaram um título nacional (cito como exemplos Chapecoense, Ponte Preta e Figueirense) conseguiram fazer campanhas consistentes nos últimos anos, com poucos rebaixamentos (ou nenhum, no caso da Chape), o Joinville poderia fazer igual. Afinal, ficou três anos preparando-se na Série B.

Veio o festival de erros: economia na montagem de elenco, com a montagem de um time para o estadual e outro para o Brasileiro, contratações equivocadas, ações que afastaram a torcida, aquela escalação desastrosa de André Krobel que nos tirou o título catarinense de 2015, Adilson Batista, a falta de confiança no projeto, a incapacidade de conseguir patrocinadores, tudo no principal momento do clube.

Caímos.

Veio 2016. “Com esse time conseguimos nos manter na Série B”. Era o que todos falavam. Com o vice do Catarinense, os otimistas falaram em acesso. Mas aí, de novo: festival de contratações equivocadas, o erro clássico de montar um time pro Catarinense e outro (ou seriam outros) para a Série B, Júlio Rondinelli, Lisca, falta de definição de comando, de time, ida e volta de jogadores sem compromisso, e o roteiro do rebaixamento foi escrito mais uma vez.

Se o mundo tivesse começado em 1976, nenhum outro clube de Santa Catarina teria história tão grande no estado. Mas o mundo não começou lá, e nem acabou em 2016. Precisamos entender nosso tamanho e ter humildade para reconhecer que, apesar de nossa história gloriosa, de sermos o único penta, hexa, hepta e octacampeão estadual, de termos dois títulos nacionais conquistados nos últimos cinco anos, de termos chegado às últimas três finais de campeonato catarinense e as disputado todas de forma equilibrada, estamos um degrau abaixo dos outros quatro clubes catarinenses mais tradicionais. Isso já é nítido pela divisão do campeonato Brasileiro que o JEC jogará em 2017. Não podemos confundir a rivalidade e o desejo de sermos melhores com a arrogância. O Joinville só voltará a ser uma grande força se todos os envolvidos – diretoria, conselheiros, sócios-torcedores, torcida, empresários e a comunidade em geral – entenderem que a união e a humildade devem estar presentes.

Aceitar nossa condição é o primeiro passo para o sucesso. É preciso deixar a arrogância dos últimos anos.

Não somos favoritos a absolutamente nada em 2017. O título catarinense pode vir, mas, sim, corremos por fora numa briga com os outros quatro “grandes” do estado. Na Primeira Liga, ganhar um dos três jogos já será uma grande vitória. A Copa do Brasil é sempre uma pedra no sapato, e nosso histórico nos ensina a não esperar muita coisa dela. Não somos favoritos sequer ao acesso para a Série B. Vai ser preciso muito trabalho, compreensão e apoio.

Não é hora para loucuras por parte da diretoria, e o início do trabalho parece animador. Contratações pontuais e corretas, a aposta em um trabalho bem feito que parte de casa, com o técnico Fabinho Santos e a comissão técnica que levou nosso sub-20 a uma semifinal de Copa do Brasil. Um pensamento pé-no-chão do gerente de futebol Carlos Kila e mudanças estruturais que trazem esperança. Mas nada adiantará se este planejamento for jogado no ralo em eventuais tropeços no início da caminhada. É preciso confiar no planejamento até o fim, mesmo que ele não nos leve ao sucesso. Só se conquista sucesso com trabalho e confiança. Não se conquista sucesso sem metas, e sem assumir riscos. É preciso coragem pra encarar a temporada de 2017, que será uma das mais difíceis da história do clube. Toda reconstrução exige isso. Não é hora também de pensar em torcida como receita. Temos sim, que organizar a casa, como o portal de transparência mostrou (papo pra outra hora). Mas o dinheiro deve ser fator secundário em 2017. Chamar a torcida e a população de Joinville e da Região Norte para junto do JEC novamente deve ser o ponto principal. E isso, passa muito longe das posturas arrogantes adotadas desde o dia 13/11/2014, citado no início do texto.

Que em 2017 somente a arrogância caia. Que todos os envolvidos com o JEC saibam levar o ano na humildade. Afinal, para crescermos de novo é preciso que as escadas sejam construídas e as paredes sejam levantadas. A velocidade dessa subida depende da força da união em torno do JEC. Que a retrospectiva em 2017 possa ser a lembrança do início da retomada. Estaremos juntos.

Saudações tricolores e um feliz ano novo!!!

Um comentário sobre “Por um 2017 com menos arrogância

  1. Belíssimo post, Rodrigo. Qdo o JEC não subiu logo em 2012 o presidente coveiro disse que seria bom ficar um tempo na série B, preparando o clube para a série A. Achei aquilo de uma imbecilidade portentosa. O que adianta ficar um degrau abaixo sem mudar nada na administração nem na visão de futuro do clube?
    Estrutura, gestão correta é visão grande para o futuro não dependem te tempo, e sim de contratar as pessoas certas e trabalhar (e deixar trabalhar) direito. Taí a Chapecoense para provar.
    E para que as coisas aconteçam, é preciso que os dirigentes sejam absolutamente comprometidos COM O CLUBE. Gente que parece mais interessada em contratar jogadores aos borbotões, independentemente da qualidade, deveria desviar dá Inácio Bastos sem passar na ponte Mauro Moura. E ficar bem longe do Morro do Meio.
    Os erros foram repetidos ano após ano, sem que o presidente aprendesse NADA com série B. Fomos campeões em 2014 terminando a competição melancolicamente, perdendo para o Oeste e contando com a valiosa ajuda do Adrianinho. (Aliás, o time do interior paulista nos deu uma lição em 2016, ao honrar a camisa com uma vitória improvável em Recife.)
    Contando com a simpatia do resto do Brasil, o presidente coveiro jogou tudo no lixo ao achar que conseguiria disputar a série A com time montado sob os mesmos erros dos anos anteriores. Tanta burrice só podia dar no que deu: dois campeonatos quase inteiros na zona de rebaixamento.
    Como você escreveu, o JEC precisa resgatar a união dá cidade em torno do time. E para isso é preciso passar confiança a quem pode investir no clube. Por enquanto, está complicado. Por mais que o torcedor continue com sua participação fantástica (não custa lembrar que em 2011 tivemos na série C a mesma média de público que um do nosso tamanho que disputava vaga na Libertadores), o clube precisa de patrocinadores. E sempre foi difícil porque a diretoria anterior NUNCA passou confiança. E os resultados deram razão a quem preservou seu dinheiro de um projeto ruim, ou projeto nenhum.
    Que o Jony mantenha afastados todos os responsáveis por essa sucessão absurda de equívocos e consiga mostrar que as coisas mudaram. Não será fácil. Mas não há outro caminho.

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